Deep Plane Facelift: o que é, como funciona e indicações

Entenda o que é o Deep Plane Facelift, como a técnica atua nos planos profundos da face e do pescoço sem esticar a pele e como funciona a avaliação

Doutor, eu cuido da minha pele há anos com toxina botulínica, bioestimuladores e tecnologias. No entanto, sinto que o contorno da mandíbula e do pescoço continua cedendo. Colocar mais preenchedor resolve?” Escuto essa dúvida quase todos os dias no consultório. A resposta começa por entender que cada tratamento possui um limite anatômico de atuação. Nesse cenário, o deep plane facelift surge justamente para reposicionar as estruturas profundas da face quando a queixa já não está na superfície da pele.

Sentir que os injetáveis pararam de entregar o mesmo efeito de antes não significa que eles sejam ruins. Pelo contrário, isso mostra apenas que o envelhecimento avançou para camadas mais profundas do rosto. Esse processo envolve ligamentos, musculatura e compartimentos internos de gordura. Portanto, insistir em colocar mais preenchedor para tentar levantar tecidos que cederam pode deixar o rosto pesado e sem proporção. Antes de escolher qualquer procedimento, consequentemente, o paciente precisa de um diagnóstico preciso.

 

O que é o deep plane facelift e por que ele mudou a cirurgia facial

Durante décadas, a cirurgia de rejuvenescimento facial ficou associada à ideia da chamada “esticadinha”. Nas técnicas antigas, por exemplo, o cirurgião descolava uma grande área de pele e concentrava a tração na superfície. Por causa disso, a pele sofria tensão excessiva e as cicatrizes podiam alargar. Além disso, o paciente corria o risco de ficar com uma expressão repuxada ou artificial.

O deep plane facelift (lifting facial de plano profundo) parte de um princípio anatômico totalmente diferente. Em vez de separar a pele do músculo e puxar a superfície, atuamos abaixo do SMAS. Essa sigla identifica o Sistema Músculo-Aponeurótico Superficial. Trata-se, na prática, de uma camada fibromuscular firme que envolve os músculos da mímica e sustenta a gordura do rosto.

Ao trabalhar nesse plano profundo, movimentamos a pele, a gordura e a camada muscular juntas, como um bloco único. Dessa forma, a sustentação acontece na arquitetura interna da face. Por fim, a pele é apenas acomodada ao final da cirurgia, sem sofrer tensão superficial.

 

O papel dos ligamentos retentores no reposicionamento da face

Para entender por que atuar abaixo do SMAS faz tanta diferença, precisamos conhecer os ligamentos retentores da face. Com efeito, eles funcionam como raízes fibrosas firmes que prendem a musculatura e a pele aos ossos do rosto. Com o passar dos anos, contudo, esses ligamentos afrouxam, e os tecidos deslizam para baixo e para o centro da face.

Um estudo de referência foi publicado por Jacono e Bryant no periódico Clinics in Plastic Surgery (PMID: 30268241). Nele, os autores explicam como a técnica de plano profundo libera quatro grupos principais de ligamentos retentores na face e no pescoço. São eles: os ligamentos zigomáticos, massetéricos, mandibulares e cervicais. De acordo com a pesquisa, soltar essas amarras na profundidade permite reposicionar o terço médio e suavizar o sulco nasogeniano. Da mesma forma, essa liberação redefine o ângulo da mandíbula sem esticar a pele.

 

Diferença entre o deep plane facelift e o lifting tradicional

Uma dúvida muito frequente na consulta é o que diferencia o deep plane facelift das técnicas tradicionais de plicatura do SMAS. Embora ambas as cirurgias tratem a flacidez facial, elas atuam em níveis anatômicos distintos.

No lifting tradicional com manipulação limitada do SMAS, o cirurgião apenas dobra ou traciona essa camada muscular superficialmente. Ou seja, ele não libera por completo os ligamentos profundos situados mais perto do centro do rosto. Por essa razão, o alcance sobre a maçã do rosto e sobre o sulco ao lado da boca tende a ser mais restrito.

Por outro lado, na abordagem de plano profundo, entramos nos espaços naturais de deslizamento que existem abaixo da musculatura. Como a pele permanece unida ao músculo e aos vasos que a nutrem, o tecido mantém uma circulação sanguínea excelente. Consequentemente, isso favorece a cicatrização e permite um reposicionamento mais vertical. Assim, devolvemos o volume da própria pessoa para as maçãs do rosto e limpamos o contorno da mandíbula.

 

O que avaliamos na consulta antes de considerar o deep plane facelift

Assim como ocorre em qualquer cirurgia facial, não existe uma idade fixa no calendário em que alguém deva operar. Na verdade, o envelhecimento depende da genética, da estrutura óssea, da qualidade da pele e dos hábitos de vida. Por isso, na rotina clínica no Instituto Mário Ferraz, em Campinas, avaliamos a anatomia de cada paciente sem fórmulas prontas.

Muitas vezes, o paciente procura a consulta porque sente que o espelho reflete um semblante mais cansado do que sua disposição interna. Nessa avaliação, observamos como as diferentes camadas do rosto se comportam em conjunto. Primeiramente, no terço médio, analisamos se houve queda dos compartimentos profundos de gordura da bochecha e marcação do sulco nasogeniano.

Em seguida, no terço inferior, examinamos a perda de definição da linha da mandíbula. Frequentemente, essa região apresenta o chamado jowl, aquele pequeno acúmulo que interrompe o desenho reto do queixo até o ângulo mandibular. Além disso, avaliamos a transição para o pescoço, verificando flacidez de pele, gordura abaixo do músculo ou bandas do platisma.

Portanto, a cirurgia entra na conversa médica como uma possibilidade diante de uma queda estrutural profunda. Nessas situações, afinal, os procedimentos não cirúrgicos isolados já não entregam uma resposta coerente.

 

A integração entre terço médio, mandíbula e pescoço

O rosto e o pescoço não são regiões isoladas por uma linha divisória. Pelo contrário, o SMAS da face continua diretamente para baixo como o músculo platisma no pescoço. Consequentemente, tratar apenas o rosto e ignorar a região cervical deixaria uma transição artificial abaixo da mandíbula.

Uma revisão anatômica conduzida por Gordon, Tower e Paskhover no periódico Facial Plastic Surgery Clinics of North America (PMID: 32503717) analisa essa continuidade biomecânica. Os autores demonstram como o deep plane facelift se integra ao avanço vertical do músculo platisma. Dessa maneira, estender o reposicionamento profundo até a musculatura cervical cria uma rede firme de suporte para o pescoço. Como resultado, restauramos o contorno cervical em harmonia com o terço inferior da face.

 

A visão global da face: olhar, cirurgia profunda e qualidade da pele

Enxergar a face como uma unidade contínua significa compreender que o rejuvenescimento raramente depende de uma manobra isolada. Quando reposicionamos o terço médio e a mandíbula no deep plane facelift, também avaliamos a região dos olhos e a saúde da pele.

Muitos pacientes com queda estrutural no terço inferior convivem, ao mesmo tempo, com sinais de peso no olhar. Nesses casos, avaliamos a possibilidade de associar a frontoplastia endoscópica para reposicionamento da sobrancelha e a blefaroplastia superior e inferior. Desse modo, todas as regiões do rosto mantêm a mesma linguagem de leveza e naturalidade.

Ademais, existe uma pergunta importante que sempre esclareço no consultório: se eu operar, ainda preciso cuidar da pele? Sim, porque a cirurgia e a dermatologia regenerativa atuam em camadas diferentes. De fato, o deep plane facelift reposiciona a estrutura profunda, mas a textura, os poros e o colágeno superficial dependem da biologia cutânea. Por isso, integramos o planejamento cirúrgico aos protocolos de medicina regenerativa dentro do Conceito Myself. Nesse acompanhamento, utilizamos recursos como fatores de crescimento autólogos (PRP e PRF), microenxertia de gordura e cuidados contínuos com a derme.

 

Segurança cirúrgica, anatomia nervosa e preparo pré-operatório

Qualquer cirurgia realizada nos planos profundos da face exige domínio anatômico rigoroso e respeito às estruturas nobres. Naturalmente, uma das maiores dúvidas de quem pesquisa sobre o procedimento envolve a proteção dos ramos do nervo facial. Afinal, são esses nervos que comandam todos os movimentos da nossa expressão.

Em artigo publicado no periódico Facial Plastic Surgery Clinics of North America (PMID: 35501058), Surek e Moorefield descrevem a anatomia tridimensional abaixo do SMAS. Os pesquisadores explicam por que o conhecimento exato das camadas faciais protege o paciente durante a cirurgia. Abaixo do SMAS existem espaços naturais de deslizamento onde não há nervos motores atravessando o caminho. Enquanto isso, os ramos do nervo facial correm em um plano ainda mais profundo, protegidos por uma fáscia própria sobre os músculos.

Aqui no Instituto Mário Ferraz, em Campinas, somamos esse rigor anatômico a protocolos objetivos de segurança hospitalar. Em nossas cirurgias faciais, por exemplo, realizamos uma avaliação pré-operatória minuciosa. Quando indicado, solicitamos inclusive ultrassonografia de face para mapear preenchedores antigos ou variações anatômicas. Além disso, utilizamos a monitorização intraoperatória do nervo facial durante o procedimento. Do mesmo modo, mantemos controle rigoroso da pressão arterial antes, durante e após a cirurgia para prevenir intercorrências como o hematoma.

 

Como são as cicatrizes e o pós-operatório do deep plane facelift

Como na técnica de plano profundo toda a força de sustentação fica ancorada na musculatura e nos ligamentos, a pele fecha sem tensão. Portanto, esse detalhe técnico favorece diretamente a qualidade das cicatrizes. Elas são planejadas para acompanhar as dobras e os contornos naturais ao redor da orelha e da linha capilar.

No pós-operatório, o cuidado começa logo após a cirurgia e segue com acompanhamento próximo de toda a nossa equipe. Nos primeiros sete a quatorze dias, por exemplo, é natural notar inchaço e algumas manchas roxas. Também é comum sentir uma firmeza ou dormência temporária na face e no pescoço durante as primeiras semanas.

Posteriormente, a retirada dos pontos acontece de forma gradual entre a primeira e a segunda semana. A maioria dos pacientes retoma compromissos sociais leves e trabalho remoto entre duas e três semanas. Por outro lado, exercícios físicos mais intensos costumam aguardar cerca de trinta dias, sempre conforme a evolução individual. Finalmente, o desinchaço completo e a acomodação final dos tecidos progridem ao longo dos primeiros três a seis meses.

 

Conclusão: preservar a identidade começa pelo diagnóstico

O objetivo da cirurgia facial moderna não é transformar você em outra pessoa, nem apagar a sua história. Pelo contrário, naturalidade significa fazer exatamente o que é adequado para a sua anatomia, devolvendo os tecidos ao seu lugar sem estigmas artificiais.

Em suma, o deep plane facelift representa um avanço importante quando há indicação clínica para tratar a flacidez profunda da face e do pescoço. Contudo, essa decisão jamais deve nascer de modismos ou tendências de internet. Se você deseja compreender o que acontece nas camadas do seu rosto, agende uma avaliação presencial no Instituto Mário Ferraz, em Campinas. Recebemos pacientes de Campinas, do interior de São Paulo, da capital e de outros estados e países. Assim, reservamos o tempo necessário para ouvir, examinar e planejar cada etapa com clareza e segurança.

Sobre o Autor e Conformidade Ética

Dr. Mário Ferraz
CRM-SP 104129
Otorrinolaringologia (RQE 45015) | Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial (RQE 450151)
Instituto Mário Ferraz — Campinas, SP

Aviso Regulatório: Os resultados cirúrgicos e pós-operatórios são individuais e variam de acordo com a anatomia, resposta cicatricial e condições clínicas de cada paciente. As informações deste artigo têm caráter exclusivamente educativo, não substituindo a consulta médica presencial, em estrita conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023.

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